O Fundo Monetário Internacional disse quinta-feira que as consequências econômicas da guerra na Ucrânia terão um impacto na consecução dos objetivos do novo programa de crédito acordado com a Argentina.
O acordo entre o FMI e o governo de Alberto Fernández, que ainda não foi ratificado pelo Congresso argentino e aprovado pelo conselho de administração do Fundo, visa começar a reduzir a alta inflação que assola o país sul-americano há anos, que ultrapassou os 50% no ano passado.
“O programa visa começar a reduzir a inflação persistente”, disse o porta-voz do FMI, Gerry Rice. “Obviamente, essa será uma tarefa difícil, dada a mudança da situação global, já que o aumento dos preços das commodities está afetando a inflação em todo o mundo”.
Rice disse que a Argentina já está sentindo os efeitos econômicos da invasão russa da Ucrânia, lançada pelo presidente russo Vladimir Putin em 24 de fevereiro.
“A Argentina, como outras economias emergentes, já está afetada pela guerra na Ucrânia, inclusive com o aumento dos preços mundiais das commodities que já estão afetando a inflação”, explicou em conferência de imprensa.
“A equipe técnica do FMI avalia o impacto potencial mais amplo no crescimento, bem como nas contas externas e no saldo orçamentário. No entanto, as incertezas permanecem altas e dependem da duração do conflito”, acrescentou Rice.
O FMI e as autoridades argentinas anunciaram em 3 de março um acordo para reestruturar uma dívida de cerca de US $45 bilhões, o legado de um empréstimo recorde de até US $57 bilhões concedido em 2018 como parte de um programa que, no final de 2021, o próprio Fundo considerou fracassado.
Rice observou que o novo programa acordado apresenta uma “estratégia múltipla” para reduzir a inflação, que “envolve uma redução no financiamento monetário do déficit orçamentário e um novo quadro para a implementação da política monetária destinada a gerar taxas de juros reais positivas para apoiar a demanda por ativos em peso”.
A inflação na Argentina foi de 50,9% em 2021; atingiu 36,1% em 2020, um ano de paralisia econômica devido à pandemia de Covid-19, e em 2019 atingiu 53,8%.
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